Patrícia Golombek
Patrícia Golombek Trabalha e vive em São Paulo, cidade onde nasceu. Formou-se arquiteta em 1986 pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo. Trabalhou com design gráfico, arquitetura e no atelier de Ernestina Karman.
Brincar com a realidade sempre foi um dos caminhos que mais interessou ao fazer artístico.
Despertar a curiosidade do olhar além do que está aparente.
A contemporaneidade reforçou a característica lúdica e crítica do objeto artístico.
A escolha de materiais se dá , muitas vezes, pela possibilidade que eles oferecem de criar situações de ambigüidade e,conseqüentemente ,de questionamento da idéia do que temos do real.
Patrícia Golombek é uma artista que há anos vem estruturando sua pesquisa neste caminho.
A moda, a arquitetura e o design gráfico são referências importantes para a sua produção. O uso recorrente de materiais industrializados, transformados em materiais pictóricos, revelam o interesse da artista em descontextualizar o uso dos materiais.
Objetos comuns como carretéis de linha agrupados , fios de couro dentro de caixas de plástico, algodões de diversos tipos e formatos transformam-se num discurso totalmente diferente do uso cotidiano.
Patrícia , muitas vezes, reforça seu interesse pelo dado repetitivo. A atitude serial da artista está, no entanto, muito mais associada à questão da transformação de uma única célula que se transforma num tecido mais complexo, tentando chamar a atenção para coisas que passam despercebidas pelo olhar.
Olhar “enganado” que podemos encontrar na série de cubos ,onde a artista se vale de materiais como casca de coco revestida com pó de ouro, letras de plástico injetável ,banhados em ferro oxidado, placas de borracha revestidas com folha de cobre, confirmando sua frase: “não acredite em tudo que vê”.
Elementos tirados de roupas de estilistas são eternizados em esculturas executadas em materiais como ferro ou tecido, numa escala e uso totalmente modificados .Esta série veio do inconformismo da artista em se deparar com obras criadas por estes estilistas ,para durarem somente uma estação e depois serem descartadas até a próxima.
Em outro grupo de trabalhos, a artista utiliza massa de porcelana revestida com pó de ouro ou prata , formando um conjunto de “preciosidades inatingíveis” , expostas em caixas de acrílico transparentes. O questionamento é outro: por que das obras de arte se tornaram tão inacessíveis?
Patrícia acredita que falar é prata e calar é ouro, pois acha que tudo que sai de nossas bocas se eternizam, isso fica visível nos trabalhos executados com palavras em mármore carrara.
Desta série surgem trabalhos que combinam palavras e materiais diversos, misturando-os e brincando com seus significados.
Patrícia trabalhou alguns anos com diagramação gráfica e portanto elementos gráficos, números e letras aparecem freqüentemente em seus trabalhos.
O tempo e o movimento também surgem nos atuais trabalhos, executados em painéis que circulam através de um mecanismo que os gira de um modo contínuo, questionando o passado, o presente e o futuro.